22 de janeiro de 2012

...

gosto de andar pelas ruas
e ver as gentes
gosto de ver as gentes desfilando
voando, navegando
na internet
comendo, lendo, jogando baralho
e conversa fora
bebendo água, cerveja ou café
gosto de ver como se portam ou se reportam
as gentes nas ruas
como se vestem
gosto de ver a moda e o démodé
gosto de ver vitrines de vidro ou lona
no chão estendidas
gosto de ver as gentes e as coisas
o preço das coisas
o preço do pão, do papel, dos esmaltes, dos brincos
gosto de ver os olhos deslumbrados dos meninos
de ver na rua poesia por fazer
ainda nao escrita em livros.
irmã de nuvens
fez-me o tempo

eu que tinha os pés
fincados em pedra
agora caminho
sobre o vento

27 de dezembro de 2011

Tereza
de boca vermelha
toda tesa e beleza
não há quem não a queira
deusa na cama e na mesa
faz proeza aos homens
suas prezas.
Numa terça
desejou-me a moça
desejei-a
Mas pelo mais profundo amor
à minha princesa
achei por bem não tê-la.
São gaivotas verdes
em pleno voo
minhas lembranças
passadas e futuras
explodindo ondas
no imenso mar azul
dos dias...

1 de dezembro de 2011

Hoje eu andei pensando em como é triste a existência das flores.
Flores são promessas tolas de amores tolos e poesias tolas.
Flores são belas e tão presas a terra.
Se arrancadas, logo morrem.
Arraigadas ao chão
contemplam e sonham o céu
onde nunca flores serão.
A gente
não volta no tempo

mas o tempo volta
na gente

em voltas
de vida
mundo
e coração
Dói a cabeça
e o coração
pensar que

não dá pra voltar no tempo

é um pensamento
que nem cabe
na cabeça

como se o impossível
e sem cabimento
não fosse exatamente
o contrário.